Íris Helena

João Pessoa, PB, 1987. – Vive e trabalha em Brasília, DF
Representada pela Portas Vilaseca Galeria.
Indicada ao Prêmio PIPA 2018.

Íris Helena é uma artista multidisciplinar nascida em João Pessoa (PB), graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba, Mestre em Artes – Poéticas Contemporâneas e doutoranda em Métodos e Processo em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília. Sua pesquisa caracteriza-se pela investigação crítica, filosófica estética e poética da paisagem urbana a partir de uma abordagem dialógica entre a imagem da cidade e as superfícies/suportes escolhidos para materializá-la. Os suportes precários e ordinários são muitas vezes retirados de seu consumo cotidiano e possibilitam a (re)construção da memória atrelada ao risco, a instabilidade, sobretudo, ao desejo do apagamento.

Íris Helena, "Notas de Esquecimento VII", da série "Lembretes", 2009, jato de tinta sobre notas amarelas, 207,9 x 147 cm, foto/instalação
Íris Helena, “Notas de Esquecimento VII”, da série “Lembretes”, 2009, jato de tinta sobre notas amarelas, 207,9 x 147 cm, foto/instalação

TEXTOS CRÍTICOS

“36 POSES”, POR RAPHAEL FONSECA
2013

Fotografa-se para recordar – este aparente lugar comum na abordagem crítica e teórica das imagens, não deixa de ser uma tentativa de compreensão dos objetos fotográficos e, por consequência, dizer respeito à pesquisa artística de Iris Helena. As técnicas de registro visual se alteraram com o tempo, mas o desejo de se criar uma biografia através de imagens permanece – se ontem economizávamos as trinta e seis poses do filme fotográfico (que nunca eram trinta e seis), agora pedimos aos nossos parentes que, por favor, ao menos tenham o trabalho de marcar nossos rostos e clicar na opção “compartilhar”.

Esta exposição se encontra norteada em verbo semelhante: a artista divide com o público imagens que podem ser interpretadas como uma autobiografia fotográfica. Se seu rosto não se faz presente, o mesmo não pode ser dito dos contextos onde estas paisagens foram produzidas. Da aparente tranquilidade do seio doméstico, sobreposto a imagens recentes de espaços públicos, para o excesso, a verticalidade arquitetônica e os remédios tomados capazes de acalmar a experiência em uma megalópole como São Paulo. Estes
deslocamentos da artista também se fazem presentes através de uma coleção de notas fiscais. No lugar de cartões postais e de uma memória pasteurizada, nos deparamos com substratos de seu consumo. Se aquilo que foi comprado é rapidamente digerido, o mesmo se pode dizer destes documentos que, lentamente, estão fadados ao desaparecimento.

Iris Helena cria objetos artísticos que nos fazem lembrar – a infância e nossos mitos fundacionais particulares, a entrada no mundo do trabalho e das cifras. Se hoje esta exposição “passa por muitas cidades”, o distanciamento do olhar poderá enquadrá-las futuramente como não-lugares. Na incerteza do que nos aguarda, aceitemos seu convite: viajemos e tentemos fazer com que nossos encontros com geografias diversas ganhem algum sentido quando transformados em imagem.

(texto curatorial da exposição “Caminho por uma rua que passa por muitas cidades”, de Iris Helena, na galeria Archidy Picado, em João Pessoa, entre 11 e 31 de janeiro de 2013)

VÍDEOS

Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2018.

Para saber mais sobre Íris Helena,