Babu78

Cuiabá, MT, 1978. – Vive e trabalha em Cuiabá, MT.
Representado pela Galeria Mirante das Artes.
Indicado ao Prêmio PIPA 2018.

BABU78 (Adão Silva Segundo), é grafiteiro, desenhista e artista visual; também atua como arte-educador em oficinas de grafite. Atualmente, sua produção é dividida entre os murais de rua e as pinturas, desenhos e ilustrações produzidas em seu estúdio. Entre suas exposições individuais recentes destacam-se: “Abissal”, Blaze Gallery, São Paulo, SP, 2016; “A Casa do Parque”, Cuiabá, MT; “Caótico”,  SESC Amazônia das Artes, Galeria do SESC, Palmas, TO, Rondônia, RO, Teresina, PI, Macapá, AM, Boa Vista, RR, 2012. Participou de diversas coletivas, entre elas: “Irigaray Arte Cidade”, Palácio da Instrução, Cuiabá, MT; 2016; 25º Salão Jovem Arte Mato-grossense, Palácio da Instrução, Cuiabá, MT, 2016; “Projeto Liberdade Assistida”, Galeria Silva Freire OAB-MT, Cuiabá, MT, 2015.

Babu78, "A ignorância não me deixou acabar", 2017, graffiti, 6,39 x 8 m
Babu78, “A ignorância não me deixou acabar”, 2017, graffiti, 6,39 x 8 m

TEXTOS CRÍTICOS

“BABU78 – Exposição PROFUNDIDADE”
POR AMANDA GAMA E WILLIAN GAMA
Julho de 2016

Arte no centro, que quebra a barreira do isolamento social da periferia da cidade – isso é o GRAFITE. Amplamente conhecido pela voracidade crítica, sua origem remete à época do Império Romano, mas popularizou-se em Nova York no final dos anos 60, ligado aos movimentos de rua e às tribos urbanas que demarcavam seus territórios e faziam suas denúncias em muros e metrôs, por meio dessa arte. No Brasil, fez-se popular já nos anos 70 com estilos e técnicas aperfeiçoados pelos brasileiros.

Contestador e de coração urbano cheio de atitude, Babu78 carrega consigo sua obra protesto que, consciente e politizada, reflexiona a realidade cotidiana de uma sociedade aquém do centro, denúncias postas em muros, telas, papéis ou qualquer superfície que possa sustentar o grito de apelo de quem vive à periferia da sorte e de seus direitos.

O grafite produzido pelo artista situa, questiona e abre diálogo com a comunidade por meio de sua obra cujo fundo é muito distante da superfície. O tema, nem sempre explícito, requer do espectador atenção não só para a figuração posta, mas para o assunto que pede socorro.
Babu78 cita: “por mais barco de papel que eu seja, o mar não vai me engolir”. Olha-se e investiga a própria pintura. De repente se depara com a palavra PROFUNDIDADE e descobre que, mais para lá do significado, estar além do tema sempre foi uma constante em seu trabalho. Começa aí a exploração das maiores profundezas conhecidas pelo artista: o mar, o espaço e o coração.

Se a “arte é o exercício experimental da liberdade”, pode-se dizer que existe hoje, em Mato Grosso, o libertário Babu78. Sua obra transpõe a tela e o muro; na cinzenta Cuiabá é paz em meio ao caos; seu grafite genuinamente brasileiro é como o Manifesto Pau-Brasil de Oswald de Andrade, “a contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” Assim é o trabalho produzido pelo artista, somos nós, é o retrato cotidiano do nosso Brasil.

VÍDEOS

Vídeo produzido pela Do Rio Filmes exclusivamente para o Prêmio PIPA 2018