Liberation 4.0

“Liberation 4.0”, desenvolvido pelo artista Daniel Beerstecher, indicado ao Prêmio PIPA 2016, é uma vídeo instalação na qual dois drones, cada um carregando consigo uma gaiola com pássaros, sobrevoam a cidade do Rio de Janeiro. Os drones rodopiam, entrelaçam-se, perdem-se e se encontram novamente em um pas-de-deux inesperado. Mas não seja enganado se o balé dos drones parece propor um cenário idílico. O projeto trata do problema da evolução técnica na era da interconexão digital avançada (também conhecida como Indústria 4.0), e as questões da liberdade individual e da autodeterminação encontram-se no centro do trabalho. “As gaiolas lembram que, para os pássaros forçados a seguir o bailar, a liberdade real é inalcançável”.

O projeto teve apoio financeiro inicial do Instituto PIPA e contou ainda com a ajuda do público via Kickstarter (acesse aqui o projeto) para captar o restante de seu investimento. O Instituto PIPA adquiriu também uma série de colagens do artista, contribuindo com os custos da produção. Graças ao apoio do público e ao comissionamento do Instituto, o valor estimado para financiar o projeto não só foi atingido, como também superado. Todos aqueles que contribuíram com algum valor no Kickstarter receberam gratificações – que vão de cartões postais com fotogramas do vídeo até os drones usados na produção.

Nos próximos anos, a política abrirá o caminho para um futuro digital, o que irá influenciar o rumo de importantes questões: se a liberdade pessoal é ou não preservada, tal como a entendemos hoje, se e como podemos controlar nossas próprias vidas ou se isso é para outros – grandes corporações, serviços secretos ou mesmo sistemas de comunicação autônomos. O trabalho Beerstecher discute onde fica o livre-arbítrio em um contexto em que as máquinas se comunicam diretamente umas com as outras. “Em última instância, qual é o lugar do humano neste mundo de automação e algoritmos?”, pergunta o artista.

Segundo o curador do Instituto PIPA, Luiz Camillo Osorio, “‘Liberação 4.0’ é sobre uma cidade e um paradoxo: beleza e horror; liberdade e aprisionamento; tecnologia, poder e destruição”. Ele continua: “O trabalho de Daniel Beerstecher está sempre desafiando as convenções sociais e lidando com o assombroso. De uma maneira muito sutil e serena, suas performances e propostas poéticas estão mudando os parâmetros com que abordamos a realidade.”